Em uma sessão marcada por debates intensos e a presença maciça de funcionários, a Câmara Municipal de Rondonópolis selou o destino da CODER.
Em um dia decisivo para o futuro dos serviços públicos em Rondonópolis, a Câmara de Vereadores aprovou, em duas votações, o projeto de lei que autoriza a liquidação e extinção da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (CODER). A decisão, tomada nesta quarta-feira (16), aconteceu em um plenário lotado por trabalhadores da empresa, que se manifestaram contra a medida, gerando momentos de tensão.
Apesar dos protestos, a base aliada do prefeito Cláudio Ferreira defendeu a proposta como uma “ação corajosa e necessária” para estancar uma crise financeira que, segundo a prefeitura, tornava a CODER insustentável. Agora, a discussão se volta para o futuro: como os serviços continuarão e qual será o destino dos funcionários?
“Uma decisão difícil, mas responsável”, afirma líder do prefeito
Para o líder do prefeito na Câmara, vereador Ibrahim Zaher, a situação da CODER chegou a um ponto crítico, com uma dívida milionária que comprometia não apenas a própria empresa, mas também as finanças do município.
“Ninguém fica feliz em encerrar as atividades de uma empresa com a história que a CODER tem. Mas a gestão pública exige responsabilidade”, destacou Ibrahim. “O prefeito teve a coragem de tomar uma decisão impopular, mas essencial para a saúde financeira da nossa cidade. Manter a CODER funcionando como está seria empurrar um problema que só cresceria, prejudicando toda a população a longo prazo. A dívida é real, os números não mentem, e uma atitude precisava ser tomada.”
O caminho da cooperativa: uma solução para os trabalhadores
A principal preocupação, tanto dos vereadores quanto dos funcionários, é o futuro da mão de obra qualificada da CODER. O presidente da Câmara, Paulo Schuh, fez questão de ressaltar que a prefeitura não pretende deixar os trabalhadores desamparados e apontou uma solução já testada e aprovada na cidade: a criação de uma cooperativa.
“A preocupação com cada pai e mãe de família é legítima e nós a compartilhamos”, afirmou Schuh. “Por isso, o prefeito incentivou fortemente que os próprios trabalhadores se organizem e criem uma cooperativa. Este é um modelo que funciona muito bem em Rondonópolis. Temos exemplos de sucesso na Coomser, no Sanear e com os motoristas da antiga Cidade de Pedra, que hoje prestam um serviço de qualidade para o município. É um caminho para que eles se tornem donos do próprio negócio e continuem prestando serviço para a prefeitura, com mais autonomia e eficiência.”
E agora? O que acontece com a CODER?
É importante esclarecer: a aprovação da lei não significa que a CODER fechará as portas amanhã. O processo de “liquidação” é complexo e deve durar vários meses. Durante esse período:
- A CODER continua operando: Os serviços essenciais não serão interrompidos de uma hora para outra.
- Apuração de responsabilidades: Um dos ritos mais importantes da liquidação é a auditoria completa das contas. Esse processo visa identificar como a dívida foi gerada e apurar a responsabilidade de gestões passadas.
- Transição organizada: A prefeitura terá tempo para organizar a transição dos serviços, seja para a administração direta ou para a contratação da futura cooperativa formada pelos funcionários.
A decisão marca o fim de um capítulo na história de Rondonópolis, mas também o início de uma busca por um modelo de gestão mais moderno e sustentável. A aposta da prefeitura é que, com coragem para enfrentar os problemas e diálogo para construir soluções, a cidade sairá mais forte desse processo.
E você, o que pensa sobre essa mudança e a proposta da cooperativa?
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por Ezequiel Ferreira

