Domingo, 20 Junho 2021

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Mães-Maternidade São Paulo

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Na semana do Dia das Mães, a história da Maternidade São Paulo

“Andando nas ruas do centro de São Paulo ao final do século 19, Bráulio Gomes, um médico renomado, precisou dar assistência a uma mulher em plena calçada prestes a dar à luz.

Depois de auxiliá-la no parto, a levou para sua própria casa oferecendo todos os cuidados até que criança e a mãe estivessem fora de perigo.

Depois de vivenciar este episódio, Bráulio Gomes tomou a iniciativa então de construir um hospital para que as mães sem condições de pagar pelo atendimento pudessem, ainda assim, receber o tratamento necessário na hora de terem seus filhos.

Assim surgia, a Associação Maternidade São Paulo, em 1894, pelo médico Bráulio Gomes (1854-1903).

A instituição funcionou como entidade beneficente durante 109 anos, até ser desativada em 15 de setembro de 2003, penhorada que foi em razão de uma dívida à época em torno dos seis milhões de reais.

Localizada na Rua Frei Caneca, bem próxima da Avenida Paulista, seu prédio de 14 andares foi demolido em agosto de 2014 pelo fato do terreno ser de alto valor comercial.

Até pouco antes seu fechamento, a instituição seguiu funcionando em ritmo frenético. Registros dão conta que somente na década de 1980 cerca de 160 mil partos foram ali realizados.

Entre os nascidos na Maternidade São Paulo que alcançaram notoriedade estão Ayrton Senna, Amyr Klink, Paulo Maluf, William Bonner, Susana Vieira e Nelson Motta.

Além dos nomes citados, milhares de outras pessoas vindas de famílias operárias e de classes mais humildes, deram o primeiro choro nas dependências daquela associação.

O acervo documental da maternidade foi preservado, inclui um número acima de 1630 livros de registro dos nascimentos que ali aconteceram no período entre 1901 e 2003.

Toda essa documentação se encontra sob custódia do Arquivo Público do Estado de São Paulo, podendo ser consultada sob autorização judicial.

Muito do que se sabe sobre a Maternidade São Paulo, foi contado nos livros do médico ginecologista e obstetra, Duílio Crispim Farina, que trabalhou para aquela casa durante 45 anos.

Ao se aposentar, o Dr. Duílio dedicou seu tempo a um estudo em que buscou valorizar a importância da medicina executada em São Paulo em todas as épocas, dando especial ênfase aos mestres e formandos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, à qual chamava pelo codinome “Casa de Arnaldo”, numa homenagem ao seu fundador, Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho.

Como jornalista acompanhei especialmente durante a década de 1990 discursos memoráveis proferidos pelo Dr. Duílio Crispim Farina na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, do qual era sócio titular.

Contava ele ter nascido em 21 de dezembro de 1921, na residência de uma tia moradora da Ladeira Porto Geral. "Assim pude vir ao mundo em berço histórico, próximo da antiga Casa de Tibiriçá e do Pátio do Colégio".

O Dr. Duílio, se despediu de nosso convívio em uma data muito especial para ele e todos os paulistas: 25 de janeiro no ano 2003.

Recebi recentemente de meu confrade na Academia Paulista de História – APH, o médico-historiador Hélio Begliomini, o livro de sua autoria que leva o título, "Antigos Membros da Centenária Academia de Medicina de São Paulo."

A publicação me fez lembrar o Dr. Duílio Crispim Farina, que se tornou com o tempo um grande amigo e um dos meus professores de história paulista.

Ele dizia acreditar ter realizado o parto do meu nascimento, visto que também vim ao mundo, através de minha saudosa mãe, nas dependências da Maternidade São Paulo, no tempo em que ele era médico titular da instituição.

Que Deus abençoe todas as mães em seu dia.

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