Quinta, 21 Outubro 2021

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Pássaros de Madeira

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É bastante difícil que sejam mantidos os fazeres artesanais, na maioria dos países do mundo. É evidente que há motivos sérios para que isso ocorra. O primeiro, evidentemente, é o fator subsistência: O artesão que pode produzir seguindo tradições, regras, materiais e o aprendizado secular de seus ancestrais em geral não possui meios para viver exclusivamente desses fazeres.  A rusticidade ou a inocência própria dos objetos produzidos, de forma não repetitiva pois sempre há a personalidade e a habilidade do artesão interferindo no produto final, reduz o número de pessoas capazes de valorizar e mesmo adquirir esses objetos.

Cria-se um impasse; o objeto que requer técnica própria, conhecimento dos materiais e habilidade, não mais encontra o público que lhe dê o devido valor, ao mesmo tempo que o artesão profissional que não deve mudar seus fazeres, precisa concorrer com uma universal derrama de novidades super distribuídas e consumidas com rapidez, o que não havia no século passado, por exemplo.

Passaro em papier mache

E piora muito quando esses artefatos sofrem influências ou inovações que o tornam um simulacro da ideia original, que em geral convive mal com matéria - primas menos rústicas. Ou instrumentos de fabricação em serie sem o ato manual do artesão.

Em países que se mantiveram fechados às trocas comerciais e políticas há maior facilidade de encontrar o artesão que preserva o que lhe chegou de seus antepassados. Mas ao mesmo tempo esse afastamento pode ser cruel ao bem-estar desses mesmos indivíduos  que sobrevivem com suas habilidades muito precariamente.

Na Asia os fazeres ligados a religião ( budista, hinduísta, etc.) são confiados aos artesões, mas mesmo estes já procuram novos materiais e novas tecnologias para facilitar e “modernizar” a produção de objetos de cultos e correlatos. ( como por exemplo colocar luzes de neon para ornamentar imagens religiosas).  A expressão facial, a postura, as cores e a qualidade do trabalho passam a ser menos valorizadas do que o aparato que chama mais atenção como as luzes cintilantes e piscantes que ornamentam as figuras.

Buda com enfeites em neon 

No Brasil o artesanato religioso ja há muito perdeu seus artesãos. O que resta são objetos utilitários com resquícios de tradição. Canecas de ágata, gamelas de madeira, panelas de barro, cerâmica vitrificada, alguns utensílios de cobre para cozinha, panos de prato pintados com motivos retirados da mídia. As rendas e os trabalhos em corda e crochê são cada vez mais raros, assim como as bonecas de pano. Os tecidos bordados têm escassos apreciadores e raros executores.

Bordado artesanal

O medo disseminado entre a população dos países subdesenvolvidos de não estar em dia, de estar por fora do que há de mais atual em qualquer assunto, faz com que sejam desprezadas as manifestações mais autenticas, e o artesanato aí se enquadra.

Ao valorizar o folclore – desde Mario de Andrade e Câmara Cascudo – se faz com que sejam respeitadas algumas manifestações tradicionais na música e nas narrativas orais, assim como nos anos mais recentes as ações de Ariano Suassuna. Por exemplo os bonecos de cerâmica já são difíceis de serem encontrados mesmo nas feiras distantes das zonas urbanas.

arte popular decorativa em vaso de barro

É louvável a iniciativa de pessoas que ainda produzem artefatos decorativos singelos e tradicionais, ou processados de forma tradicional. Cidades como Embu das Artes e Silveiras no estado de São Paulo são dois pontos de interesse para quem aprecia ou pesquisa o fazer artesanal. A proximidade de Embu das Artes com a capital propicia movimentação de turistas do Brasil ou do exterior. Alguns artesãos têm ali seus ateliers e outros comercializam objetos que trazem de outras cidades.  

Pássaro de madeira

Pássaro de madeira

Silveiras tem uma história nada incomum, com a desativação das fazendas produtores de leite e o desincentivo as atividades agrícolas, a população encontrou na fabricação de artefatos uma forma de atrair para a cidade alguns turistas (inclusive promovendo festas típicas) e ampliando a produção de seus pássaros de madeira. Entalhados a mão com grande habilidade e pintados com cuidado tornaram-se famosos em todo país.

Pássaro de madeira

Estas fotos fizeram parte da uma exposição que realizei no Espaço Cultural Hospital Albert Einstein,  e são  macro fotografias dessas pequeninas obras de grande delicadeza e apreciável qualidade. A madeira – denominada pelos artesãos de “cacheta” se assemelha a madeira balsa. Mas o que menos importa são os dados técnicos, vamos apreciar através da sensibilidade.

Visitem os sites: 

www.entrenoparaizo.com/decorativos.HLML/Silveiras.sp

http://www.chaocaipira.org.br/cidades/silveiras

Todas as fotos são de arquivo pessoal de autoria de Neusa Scalea. 

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