Domingo, 20 Junho 2021

E Esporte

A caminho da (Euro)copa

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Diz o ditado que a Eurocopa é uma Copa do Mundo sem a Canarinha e a Albiceleste. Não prendo-me muito a frases de efeito ou lugares comuns, mas eles existem justamente por serem proferidos ao longo de tantos anos que acabam mesmo por tornar-se o que são: clichês. E não há um mais verdadeiro em relação à copa europeia de seleções do que este, principalmente da sua última edição, em 2016, para cá. 

Naquela ocasião, a sempre criativa UEFA se rendeu à obviedade de sua amplitude (há mais nações federadas do que países no Velho Mundo, 55) e colocou à disposição mais oito vagas para a classificação à fase final da Euro, ampliando os participantes de 16 para 24. Mais democrático e com maior calendário e estofo televisivo, o torneio passado, na França, foi um sucesso de público e recepção pela qualidade da maioria dos jogos, atletas e organização.  

A tendência agora é que esse número de participantes cresça ainda mais. Provas de diligência e esmero em realizações são dadas anualmente pela Confederação sediada em Nyon, Suíça. Ano após ano logra ela realizar Champions League (maior evento de clubes de futebol), sua charmosa prima menor, a Europa League, e ainda iniciar ano que vem a Conference League, sua terceira competição entre equipes, que reunirá times alternativos e mal ranqueados. 

A despeito de alguns pequenos deslizes éticos como o descontrole fiscal na “era dos xeques” e alguns escândalos de corrupção aqui e ali, segue a UEFA dando um banho na nossa CONMEBOL e mesmo na FIFA quando o assunto é qualidade de produtos. O sucesso “varre a sujeira abaixo do tapete” (outro clichê). 

Num biênio de COVID-19, a maior pandemia desde a longínqua Gripe Espanhola, os europeus conseguiram não só manter o nível de suas principais Ligas nacionais e continentais como retornou com o futebol antes de todos, tudo com prudência e respeito à saúde de quem dele vive, outra goleada de civilização dos outrora usurpadores da civilidade alheia. Às vésperas da final da Champions League deste ano, no Porto, já vão eles de pronto do estádio do Dragão para as onze cidades-sedes escolhidas e corajosamente mantidas para as partidas da Euro. 

Da Andaluzia ao Báltico, das Highlands escocesas à Cidade Eterna, chegando ao distante e escarpado Cáucaso a bola irá rolar para as vicissitudes deste torneio instigante e cada vez mais próximo de latino-americanos. Os jogos de estreia estão marcados para a segunda semana de junho, no dia 11. A grande final será na tradicional fortaleza inglesa de Wembley, em Londres. Completam a lista de praças Sevilha, Roma, Munique, Bucareste, Budapeste, Amsterdã, Copenhagen, São Petersburgo e Baku.  

Passando mui rapidamente pelos escretes que lutarão pela dura glória europeia, vemos selecionados poderosos em quase todos os grupos. Alguns sorteados são muito mais fortes do que outros, mas todos com muitos atrativos para nós, brasileiros, ficarmos de olho em possíveis pedras no sapato no próximo Mundial, o do Catar, que já bate à porta. Vale lembrar que a Amarelinha não vence uma seleção de peso da Europa desde a redentora final de 2002, frente aos fatídicos alemães. 

O chaveamento, como já dito, sorriu a uns e não a outros. Após a desgastante eliminatória (sim, a Euro não tem a moleza da Copa América), os imprevisíveis italianos, com uma seleção renovada e alguns bons valores como Chiesa, Zaniolo e Bernardeschi, irá defrontar os sempre tinhosos turcos, para além do País de Gales de Gareth Bale, surpresa da última Euro, e a Suíça de Xhaka e Shaqiri.

Aparentemente nivelado, o segundo grupo conta com a quase toda doméstica e medíocre seleção russa. O gigante do leste terá companhias nada amistosas de dinamarqueses, com Erikssen e Poulsen, e a talentosa Bélgica e sua melhor safra da história, possuindo craques do goleiro ao centroavante. Eles foram, inclusive, nossos mais recentes algozes na última Copa. A sempre respeitada Holanda volta ao seu habitat após o hiato de 2016 e irá encarar as frágeis Ucrânia, Áustria e a estreante Macedônia do Norte.

Reeditando a semifinal do último Mundial, Croácia e Inglaterra terão mais uma desforra entre si. A revanche é clamada pelo renovado English Team, que tem uma equipe que valerá a pena prestar atenção. Os croatas seguem com uma base boa porém envelhecida desde 2018. Completam o grupo a retornada Escócia e a República Checa. No grupo D quem sorriu foram os espanhóis: A Fúria terá ao lado equipes de camisa como Polônia, do atual melhor do mundo e letal Lewandowski, e a Suécia (oxalá Ibra consiga lá estar!), além da Eslováquia. É certo contudo que a Espanha parte como a favorita da chave.

Por fim e não menos importante, eis o grupo da morte — Ele reunirá os dois últimos campeões do Mundo, Alemanha e França, e a fortíssima seleção portuguesa, detentora do último caneco europeu e osso duro de roer na meia-cancha. Neste chaveamento tudo é possível e “ninguém será de ninguém” (êta jargões!) até o último suspiro do árbitro. Sobrou para a pobre Hungria o trabalho de sparing deste trio de peso. A Alemanha já foi hegemônica e está em crise, mas nunca deve ser subestimada. Já os bleus dispensam apresentações com Mbappé, Griezmann, Pogba e cia.   

Claro que essas são apenas fabulações e prognósticos nada precisos de alguém que, como você, leitor, se sentará à poltrona à espera de muitas zebras, surpresas e emoções a mil, coisas que são peculiares a este campeonato que respira história e resinificou a luta milenar entre os povos do Velho Mundo numa guerra saudável no gramado, junto a uma bola e 22 guerreiros de cada lado deste front de batalha. Que essa amada redonda role logo e nos alivie um pouco nestes tempos sombrios.

Júlio Moredo é escritor, jornalista formado pela Cásper Libero, estudante de História na Universidade Cruzeiro do Sul, autor do romance “O apátrida: a saga de um degredado no Novo Mundo”. 

Autor:
JÚLIO MOREDO
Jornalista/Escritor

 

 

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