RECUPERAÇÃO JUDICIAL – Dificuldades levam produtores rurais de MT à Justiça para renegociar dívidas

Cidade

O campo, que por muitos anos foi o motor da economia de Mato Grosso, vive um momento difícil. O número de produtores rurais e empresas do agronegócio que pedem recuperação judicial não para de crescer, e Mato Grosso aparece em primeiro lugar no Brasil.
Segundo a Serasa Experian, o agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, entre janeiro e março. No mesmo período do ano passado foram 389, uma alta de 21,9%. Mato Grosso teve o maior número de pedidos do país: 135. Em seguida aparecem Goiás, com 73, Paraná, com 50, e Mato Grosso do Sul, com 38.
A recuperação judicial é um instrumento usado por empresas e produtores endividados para tentar evitar a falência. Com ela, a Justiça suspende cobranças por um tempo, e o devedor apresenta um plano para pagar o que deve. Ou seja, quem chega a esse ponto já não consegue honrar seus compromissos sozinho.
Especialistas apontam uma soma de fatores. Os juros estão altos e o crédito ficou mais caro e mais difícil. O custo para produzir subiu, enquanto o preço de venda da soja e do milho não acompanhou. Problemas climáticos também atrapalharam safras recentes.
A inadimplência entre produtores rurais chegou a 8,8% no primeiro trimestre, de acordo com a Serasa. O crescimento foi maior entre os produtores que atuam como empresa (com CNPJ): esse grupo fez 196 pedidos no trimestre, alta de 73,5% em um ano.
Em 2025, o agro já tinha batido recorde, com 1.990 pedidos de recuperação judicial, o maior número desde o início da série da Serasa, em 2021.
Rondonópolis sente esse cenário de perto. A 4ª Vara Cível da cidade concentra processos de recuperação judicial da região e, em 2026, já deferiu pedidos de grupos de produtores com dívidas que passam de R$ 30 milhões e de R$ 45 milhões.
Quando o produtor entra em crise, o problema não fica só na fazenda. Revendas de insumos, transportadoras, armazéns, oficinas e o comércio local deixam de receber, vendem menos e também passam a enfrentar dificuldades. É um efeito em cadeia que atinge toda a economia de cidades ligadas ao agronegócio, como Rondonópolis.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *